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por Marcelo Oscaberry
Faz um longo tempo que eu não escrevo nada para esse blog. O objetivo original dele era mostrar as coisas que eu estava fazendo, todavia acabei percebendo que talvez eu não quisesse ficar mostrando as coisas que ando fazendo para todo mundo, uma conversa com um ou dois amigos já bastava e acabava sendo mais simples do que escrever um artigo inteiro.
Mas estamos aqui novamente por um motivo.
Meu problema com a IA
Desde o advento da inteligência artificial para código sério eu venho tendo muitos problemas para aprender algo novo.
E quando eu falo “para código sério”, não digo copiar e colar o teu código em um chat e esperar que a IA acerte o contexto do teu projeto e te dê o código perfeito. Quando eu falo de código sério eu digo com o boom de agentes de IA entre o fim de 2025 e o começo de 2026, quando as IAs começaram a ser capazes de buscar contexto por si próprias e rodar comandos arbitrários na sua máquina… ali algo mudou.
Antes já existiam tentativas de fazer isso e algumas foram bem longe (como o cursor), isso permitiu programar coisas básicas / boilerplates com a IA, mas ainda era mais rápido programar na mão qualquer coisa que fosse mais complexa. Os modelos até podiam buscar mais contexto por si próprios antes, todavia tinham uma janela de contexto muito pequena e isso os fazia viver esquecendo das coisas.
No período entre o fim de 2025 e o começo de 2026, grande parte desses problemas foram resolvidos, agora os agentes já conseguiam rodar comandos arbitrários nas máquinas e entender o problema por si só, buscando melhor o contexto e esquecendo menos, além de claro, os modelos em si ficarem cada vez mais inteligentes e otimizados.
Meu parágrafo anterior fez soar que tudo ficou às mil maravilhas, mas não é bem assim, a “IA” apenas ficou boa o suficiente.
A IA se torna boa o suficiente
Quando eu falo “boa o suficiente”, falo no sentido de que hoje em dia escrever código na mão é totalmente opcional, mas além de ser opcional é consideravelmente mais lento e mais cansativo do que só pedir para uma LLM fazer o mesmo trabalho.
Hoje em dia, no dia a dia do trabalho só utilizo IA, 100% do meu código é feito por uma IA, e o grosso dos testes para ver se essa IA cometeu algum erro também é feito por uma IA.
Meu trabalho se resume, em grande parte, a atuar um nível acima do código, pensando no problema que deve ser resolvido e muitas vezes durante esse processo também discuto sobre isso com uma IA.
O máximo de “trabalho” que se pode dizer que faço é ao fim ler o código feito pela IA e julgar se segue em grande parte os padrões do projeto atual, se não tem nenhum erro grotesco… etc.
Ao ler vejo que o código não é excelente, mas bom o suficiente e provavelmente se eu tivesse feito à mão, teria demorado consideravelmente mais tempo para alcançar o mesmo objetivo. O problema foi resolvido e o cliente está feliz.
Vida boa
Posso ser sincero? Fazer tudo isso é fácil… ahh é muito fácil, sinto que não me esforço de verdade desde que comecei a usar o codex ou claude code no começo de 2026.
Nem tudo são flores, desde o início desse período já passei por problemas com a IA não conseguindo resolver ou o resultado não saindo bom o suficiente, mas no final do dia a solução é simples: pedir de novo, até que alguma hora ela consiga resolver.
Pode até ser mais demorado, mas difícil? Difícil não é mesmo. Pode-se dizer que a parte mais difícil de tudo é superar o tédio e a preguiça que tudo isso causa.
E é no meio dessa facilidade e tédio que mora o meu problema.
Dificuldades para melhorar
Como eu tinha dito no começo do artigo, meu maior problema hoje em dia é continuar melhorando, aprendendo coisas novas.
Sinto que desde o início de 2026 não aprendi nada de novo, fico aqui estagnado pedindo para o chef fazer um arroz com feijão enquanto sento na mesa esperando o prato.
Isso me mata devagarinho, como posso eu alcançar a excelência no meu ofício se a única coisa que consigo é só pedir para que alguém faça para mim? E esse alguém ainda fica 24 horas disponível e entrega mais rápido do que eu jamais poderia entregar.
Deveria, em vez de aprender a cozinhar, só aprender a pedir? Ora veja bem, se eu aprender a pedir posso em vez de pedir um arroz com feijão, pedir um ravioli artesanal com massa fresca.
Mas pedir é uma ação passiva, no final do dia qualquer um consegue pedir. Não pode ser assim que se alcança a excelência em algo.
De chefe para garçom
Vamos pensar que eu seja um garçom, talvez para alcançar a excelência seja necessário que eu fique melhor em entender o que os clientes querem e assim entregar isso de uma forma mais eficiente para o chef. Talvez eu cozinhe alguns pratos por mim mesmo, para que, na hora de pedir ao chef, eu consiga ser mais preciso, fazendo assim todo o processo mais rápido e com um nível de qualidade maior.
Sem dúvida isso me tornaria um garçom melhor, mas note a ênfase na palavra garçom.
Comecei mesmo na gastronomia para me tornar um simples garçom?
Não. Eu comecei para me tornar um chefe de cozinha.
Honestamente? Sei como me tornar um excelente garçom, mas chefe de cozinha? Hoje em dia posso dizer que ainda não faço ideia de como me tornar isso…
Então por agora decido eu a forçadamente me contentar a tentar ser um excelente garçom.
Conclusão
Colocando todas essas analogias abstratas de lado, tô tentando voltar a melhorar na área, superar esse “sentir-se estagnado”, assim, pode-se dizer que esse blog é mais uma das tentativas.
Infelizmente para eu aprender algo não basta apenas ler sobre, preciso aplicar, discutir, criar.
A parte da discussão eu planejo deixar para este blog, ele vai se tornar quase como um caderno de anotações de assuntos que estou estudando sobre.
A ideia é basicamente usar a escrita de artigos para consolidar melhor o meu aprendizado a longo prazo, já que escrever sobre me força a botar em palavras algo que talvez ainda estivesse de forma abstrata na minha cabeça.
Então é basicamente isso. Esse blog, se tudo der certo, vai estar cheio de explicações de coisas que eu ando estudando.
Nos vemos em breve!